quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Cicatrizes
A glória está a um passo do seu túmulo
O seu suor está cheirando a sangue
Enquanto as notas voam, as cicatrizes ficam
Subas as escadas, não desista agora
Isso tem que ter um fim
Você precisa disso pra viver
Mas o seu corpo não responde
E a sua alma está morta
Algumas cartas estão marcadas
Mas você aposta todas as fichas
Sem pensar no passado
Sem pensar em você
Vamos lá meu soldado, mostre a sua fé
O futuro lhe reserva as melhores lembranças
Eu terei que ouvir todas as histórias
A mesma coisa com outro tom
Sentidos afetados, sentidos em agonia
Não venha me falar em honra
O que você busca é o fim
Veja, é o fim, é o fim
Rubber tramps
Carros velhos, sucatas que valem ouro
Pra quem enriquece a base de liberdade
Gasolina e adrenalina
A química perfeita
Muito mais que uma odisséia
É a revelação, o âmago do aventureiro
Não existe risco para os corajosos
Não existe frustração pra quem aceita
O desafio de conhecer a si mesmo
Longe de tudo, de todos
Mas a poucos quilômetros da essência
O sol arde nesse verão
Queimando todas as falsas promessas
Queimando todas as ilusões
É errado andar na contramão
Há um sentido a seguir
Veja as formigas em linha
Mas o que isso tem a ver
Com o sentido da música?
Salve-se quem puder
Violência, mortes e destruição
Humanos e animais disputam o seu lixo
Desperdício, desperdício
Diariamente é a mesma situação
Tudo se move na mesma direção
A engrenagem funciona, tudo funciona
A engrenagem que condiciona, que condiciona
O sistema te vende a suposta realidade
E você pode pagar em pequenas parcelas
Diariamente é a mesma situação
As várias faces de um mesmo ladrão
Enquanto um rouba para comer
O outro rouba para ter mais poder
Diariamente é a mesma situação
Trabalho e suor, pura exploração
E o seu salário? Salário-gorjeta
E vida regada à tarja-preta
O sistema te vende a suposta realidade
Você pode pagar em pequenas parcelas
Vende-se
Mas esse caminho não vai a lugar nenhum
A lugar nenhum
Não há nada que não possa ser comprado
Não há nada que não possa ser vendido
A pior invenção da humanidade domina até a sua alma
É overdose de ignorância
Só status social
Apenas um novo bem
Pra lhe fazer mal
Vende-se a verdade, vende-se a mentira
Vende-se o prazer, vende-se o lazer
Vende-se a vida, vende-se a morte
Vende-se a paz, vende-se a guerra
Vende-se a alegria, vende-se a tristeza
É overdose de ignorância
Só status social
Apenas um novo bem
Pra lhe fazer mal
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Você
O que só os cegos admiram
Você me ensinou a crer
Que os nossos sonhos são reais
Eu vi poetas numa fábrica
E operários autografando
Lixo Reciclável
Interrogações
Um labirinto, uma encruzilhada ou será uma bomba relógio?
Queremos uma resposta a mais para aquilo que já sabemos
Queremos abraçar o mundo, mas esquecemos...que pouco importa
Acreditamos que há uma fórmula para a felicidade
Lutamos inconscientemente com nós mesmos todos os dias
morremos (e viramos mortos-vivos,
como nos filmes de terror),
às vezes sentimos que nos libertamos
(as nossas carcaças não valem mais nada,
o que interessa é flutuarmos por aí
com nossas almas em chamas)
não tente entender,
apenas sinta como é ótimo saber
que por mais que se descubra um segredo,
o máximo que você terá é uma nova interrogação...
Heróis
A ponto de termos que estar sempre corretos
Mas nada nesse mundo justifica
Tantas injustiças
Vivendo no limite
Entre o possível e o impossível
Heróis partem todo dia
Para salvar a si mesmos
Heróis procuram todo dia
Aliviar seus próprios sofrimentos
Imagens caóticas
Invadem a minha mente
Enquanto alguns resistem
Outros não existem mais
Vivendo na esperança
De dias melhores
Heróis partem todo dia
Para salvar a si mesmos
Heróis procuram todo dia
Aliviar seus próprios sofrimentos
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
dias alucinantes
o que me faz sentir
que o infinito não é o bastante?
eu evaporo o meu dia
na busca de um tesouro
que eu nem sei se existe
e se vale alguma coisa
eu subo a montanha
vejo a imensidão
na palma das minhas mãos
o suor vale um cartão postal
não sei se é uma recompensa
ou apenas uma resposta
não é o bastante
o vazio continua
mais, mais e mais
insaciável, incontrolável
é overdose reprimida
é sede de viver
sobre o tempo
Hoje acordei
Sentindo falta de tudo que eu não vivi
O futuro é uma armadilha
Não há tempo, não há tempo a perder
Criaram a prisão, mas me deram a chave
Controle, controle, controle, controle
Controle, controle, controle, controle-se
A marcha não pára
Todos em linha
Simetria, alegria
Todos em linha
Simetria, alegria
Sorriso no rosto, agonia e êxtase
Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac
Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac
4 tempos, 4 passos, 4 minutos
Congele este momento
Nem é tão ruim assim
Rotas alternativas
Viva o imprevisível
Não há o que temer, não há o que temer
Todos em linha
Simetria, alegria
Todos em linha
Simetria, alegria
Sorriso no rosto, agonia e êxtase
navio dos afogados
nesse mar de indecisões
eu sigo em frente
há tempos não piso em terra firme
mas é assim, é sempre assim
quando o norte é apenas uma direção
quem precisa de bússola?
viver numa ilha ou viver ilhado?
é tão simples não pensar
é tão simples não saber
é tão simples fingir
é tão simples esquecer
e tão fácil de lembrar
mas é assim, é sempre assim
os dias passam
os ciclos já não são mais perfeitos
é, a água está mais salgada
a solidão e a guerra
em meio a tempestade
escuridão
em meio as ruínas
solidão
tudo é tão normal
é tão real
tudo que passou
e o que restou
eu olho para o céu
escuridão
eu olho para o céu
uma condição
eu olho para o céu
a salvação
como é bom brincar
de manipular
como é bom brincar
de assassinar
vamos brindar
pela emoção
de destruir
mais uma nação
eu olho para o céu
escuridão
eu olho para o céu
uma condição
eu olho para o céu
a salvação
eu olho para o céu....
domingo, 3 de agosto de 2008
zero e um da silva
o capítulo final
xamã do subúrbio
curar, prever, enfeitiçar
é o moderno xamã
o xamã do subúrbio
uma cura para a alma
um feitiço entorpecente
uma previsão improvisada
um consolo pra mente
sobrenatural é o que você vê
quando consegue prever
o presente e seus “presentes”
os deuses e seus interesses
o lado oculto do culto pela vida
o lado negro do inconsciente
energia positiva, energia negativa
céu e inferno
não saber o que dizer, não saber o que fazer
que a irrealidade do dia-a-dia não deixará provas e vestígios
de que foi concreto sim e que passou duramente despercebido
não saber o que dizer
não saber o que fazer
vou viajar em idéias, ou melhor, em sonhos
pois as idéias não são bem aceitas neste lugar
já os sonhos trazem aquela visão embaçada
mas que quando revelada, arrancam suspiros
do mais descrente homem do universo.
não saber o que dizer
não saber o que fazer
vícios
entre os fantasmas que me atormentam
o que é pior?
onde vou estar quando o sol nascer?
onde vou estar quando o sol se pôr?
acho que ainda não aprendi a viver
talvez nunca aprenderei
já que nem tudo é eterno, nem mesmo previsível
prefiro morar em um castelo de areia
prefiro alimentar os meus demônios
prefiro viajar sem data pra voltar
prefiro pirar, pirar, pirar
sigo em companhia da minha indecisão