o que me faz sentir
que o infinito não é o bastante?
eu evaporo o meu dia
na busca de um tesouro
que eu nem sei se existe
e se vale alguma coisa
eu subo a montanha
vejo a imensidão
na palma das minhas mãos
o suor vale um cartão postal
não sei se é uma recompensa
ou apenas uma resposta
não é o bastante
o vazio continua
mais, mais e mais
insaciável, incontrolável
é overdose reprimida
é sede de viver
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
dias alucinantes
sobre o tempo
Hoje acordei
Sentindo falta de tudo que eu não vivi
O futuro é uma armadilha
Não há tempo, não há tempo a perder
Criaram a prisão, mas me deram a chave
Controle, controle, controle, controle
Controle, controle, controle, controle-se
A marcha não pára
Todos em linha
Simetria, alegria
Todos em linha
Simetria, alegria
Sorriso no rosto, agonia e êxtase
Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac
Tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac
4 tempos, 4 passos, 4 minutos
Congele este momento
Nem é tão ruim assim
Rotas alternativas
Viva o imprevisível
Não há o que temer, não há o que temer
Todos em linha
Simetria, alegria
Todos em linha
Simetria, alegria
Sorriso no rosto, agonia e êxtase
navio dos afogados
nesse mar de indecisões
eu sigo em frente
há tempos não piso em terra firme
mas é assim, é sempre assim
quando o norte é apenas uma direção
quem precisa de bússola?
viver numa ilha ou viver ilhado?
é tão simples não pensar
é tão simples não saber
é tão simples fingir
é tão simples esquecer
e tão fácil de lembrar
mas é assim, é sempre assim
os dias passam
os ciclos já não são mais perfeitos
é, a água está mais salgada
a solidão e a guerra
em meio a tempestade
escuridão
em meio as ruínas
solidão
tudo é tão normal
é tão real
tudo que passou
e o que restou
eu olho para o céu
escuridão
eu olho para o céu
uma condição
eu olho para o céu
a salvação
como é bom brincar
de manipular
como é bom brincar
de assassinar
vamos brindar
pela emoção
de destruir
mais uma nação
eu olho para o céu
escuridão
eu olho para o céu
uma condição
eu olho para o céu
a salvação
eu olho para o céu....
domingo, 3 de agosto de 2008
zero e um da silva
o capítulo final
xamã do subúrbio
curar, prever, enfeitiçar
é o moderno xamã
o xamã do subúrbio
uma cura para a alma
um feitiço entorpecente
uma previsão improvisada
um consolo pra mente
sobrenatural é o que você vê
quando consegue prever
o presente e seus “presentes”
os deuses e seus interesses
o lado oculto do culto pela vida
o lado negro do inconsciente
energia positiva, energia negativa
céu e inferno
não saber o que dizer, não saber o que fazer
que a irrealidade do dia-a-dia não deixará provas e vestígios
de que foi concreto sim e que passou duramente despercebido
não saber o que dizer
não saber o que fazer
vou viajar em idéias, ou melhor, em sonhos
pois as idéias não são bem aceitas neste lugar
já os sonhos trazem aquela visão embaçada
mas que quando revelada, arrancam suspiros
do mais descrente homem do universo.
não saber o que dizer
não saber o que fazer
vícios
entre os fantasmas que me atormentam
o que é pior?
onde vou estar quando o sol nascer?
onde vou estar quando o sol se pôr?
acho que ainda não aprendi a viver
talvez nunca aprenderei
já que nem tudo é eterno, nem mesmo previsível
prefiro morar em um castelo de areia
prefiro alimentar os meus demônios
prefiro viajar sem data pra voltar
prefiro pirar, pirar, pirar
sigo em companhia da minha indecisão